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Motor BMW N20: confiabilidade, corrente de distribuição e pontos fracos reais

Quando a BMW trocou o seis em linha aspirado por um quatro cilindros turbo, muita gente torceu o nariz. O N20 respondeu na prática: mais potência, consumo bem menor, torque disponível desde baixas rotações. Mas ele tem um defeito de juventude bem documentado que pode transformar um bom negócio em uma conta salgada. Veja tudo o que você precisa saber antes de comprar um BMW com motor N20.

O que é o motor N20

Lançado em 2011, o N20 é um quatro cilindros em linha de 1.997 cm³, com injeção direta, turbo twin-scroll, comando variável Double VANOS e curso variável de válvulas Valvetronic. É o primeiro quatro cilindros turbo moderno da BMW concebido para substituir o seis em linha aspirado de 3.0 litros.

As versões vão de 156 a 245 cv, conforme o modelo e o ano de fabricação. A versão de 245 cv do 328i entrega 350 Nm a partir de 1.250 rpm, ou seja, mais torque que o seis em linha N52 que ele substituiu, e muito mais cedo.

Está presente em uma gama bem ampla: Série 1, Série 2, Série 3, Série 4, Série 5, X1, X3, X4, Z4 e até alguns MINI. Se você está de olho em um BMW a gasolina entre 2011 e 2017, há grande chance de ser um N20.

As guias da corrente: o problema principal

É o defeito que marcou a reputação deste motor. A corrente de distribuição do N20 fica na parte traseira do motor, do lado do câmbio. As guias de plástico que a mantêm tensionada se desgastam prematuramente nos motores fabricados antes de 2015.

A consequência: a corrente ganha folga, pode pular um dente e, nos casos graves, as válvulas encostam nos pistões. O resultado é um motor perdido. Não é uma fatalidade, mas é um risco real em exemplares sem histórico de reparo.

A BMW revisou as peças em 2015. Os motores produzidos depois dessa data recebem guias e tensionador mais resistentes. É a primeira coisa a verificar: a data real de produção do veículo, não o ano de emplacamento, que pode ser um ano depois.

Posição da corrente de distribuição atrás do motor N20 e as guias de plástico
A corrente fica atrás do motor: a intervenção exige remover o câmbio.

Por que o reparo é tão caro

A posição da corrente atrás do bloco explica a conta. Para chegar até ela, o mecânico precisa retirar o câmbio. A mão de obra representa a maior parte do custo, já que as peças em si são relativamente baratas.

No Brasil, um kit completo de distribuição instalado em um N20 costuma ficar entre R$ 6.500 e R$ 11.500, dependendo da oficina e do modelo. Em um veículo com tração integral xDrive, a conta sobe.

Por isso um N20 com a distribuição já feita e a nota fiscal no histórico vale objetivamente mais que um exemplar idêntico sem comprovação. É um argumento de negociação que funciona nos dois sentidos.

Os sinais que devem alertar você

Um ruído metálico de chocalho na partida a frio, vindo da traseira do motor, na direção do habitáculo, é o sinal clássico. Dura alguns segundos e some quando a pressão do óleo sobe. Não ignore.

Uma luz de injeção acesa com códigos ligados à correlação entre virabrequim e comando de válvulas também indica corrente com folga. Um diagnóstico em uma oficina séria custa pouco e diz muito.

Por fim, um histórico de trocas de óleo raras ou espaçadas é um agravante. As guias sofrem mais rápido com óleo cansado, e os intervalos longos de fábrica não ajudam.

Os outros pontos fracos do N20

A corrente não é o único assunto. Os demais defeitos recorrentes, por ordem de frequência.

Consumo de óleo

frequente

Anéis e separador de vapores. Confira o nível entre revisões.

Bomba d'água elétrica

R$ 5.000 - 8.000

Costuma falhar entre 100.000 e 150.000 km.

Vazamentos de óleo

variável

Tampa de válvulas, suporte do filtro, junta do cárter.

Carbonização nas válvulas

manutenção

Inerente à injeção direta. Limpeza a cada 100.000 km.

Valvetronic

raro

O motorzinho pode falhar, mas é marginal.

O que o chassi e o histórico mudam

Neste motor, a data real de produção é a informação decisiva. Um veículo emplacado em 2015 pode perfeitamente ter sido fabricado em 2014, ou seja, antes da revisão das peças. A decodificação do chassi dá a data exata de saída de fábrica, não uma aproximação.

O histórico de manutenção completa o quadro: diz se a distribuição já foi feita, em qual quilometragem e com quais peças. Mostra também o ritmo real das trocas de óleo, que é o fator de desgaste número um das guias.

As duas informações juntas mudam completamente a leitura de um anúncio. Um N20 de 2013 com a distribuição refeita aos 120.000 km é uma compra mais tranquila que um N20 de 2016 sem nenhum histórico.

A manutenção que prolonga a vida de um N20

O intervalo de troca de óleo previsto no lançamento, de até 25.000 km, é hoje considerado longo demais para este motor. A prática dos proprietários informados é reduzir para 10.000 km, com óleo totalmente sintético homologado BMW Longlife-01.

É provavelmente o melhor investimento em relação ao custo em um N20: o óleo limpo protege diretamente as guias da corrente, que são o ponto fraco.

A limpeza das válvulas de admissão é manutenção programada, não reparo. Com injeção direta, a carbonização é inevitável. Ignorada, ela se paga em desempenho e em consumo.

N20 ou B48: qual escolher

O B48 assumiu a partir de 2015 e resolve o problema da distribuição desde o projeto. É o motor mais tranquilo, se o orçamento permitir.

Ainda assim, o N20 continua sendo uma escolha racional no mercado de seminovos, desde que você mire um exemplar posterior a 2015 ou um mais antigo com a distribuição já refeita e documentada.

A diferença de preço entre as duas gerações costuma ser maior que o custo de uma distribuição preventiva. Vale fazer a conta com os números reais do anúncio que está na sua frente.

Checklist antes de comprar um N20

A ordem a seguir.

  • ·Decodifique o chassi para obter a data real de produção (antes ou depois de 2015).
  • ·Peça o histórico de manutenção: a distribuição já foi feita?
  • ·Ligue o motor totalmente frio e ouça na direção da traseira do bloco.
  • ·Peça a leitura dos códigos de falha, em especial a correlação virabrequim e comando.
  • ·Confira o nível de óleo e pergunte sobre o consumo entre revisões.
  • ·Verifique a frequência real das trocas de óleo no histórico.
  • ·Procure marcas de vazamento na parte inferior do motor.
  • ·Inclua no preço os serviços que ainda faltam, em vez de torcer para não precisar.

Frequently asked questions

Quais BMW têm o motor N20?+

O N20 equipa Série 1, Série 2, Série 3, Série 4, Série 5, X1, X3, X4, Z4 e alguns MINI, entre 2011 e 2017, em versões de 156 a 245 cv. A decodificação do chassi confirma o motor exato do veículo.

Quanto custa a distribuição em um N20?+

Entre R$ 6.500 e R$ 11.500 em geral, porque a corrente fica atrás do motor e exige remover o câmbio. A mão de obra representa a maior parte do valor.

Os motores N20 posteriores a 2015 são confiáveis?+

A BMW revisou as guias e o tensionador da corrente em 2015. Os motores produzidos depois dessa data são bem mais seguros nesse ponto. Confirme a data real de produção pelo chassi, não pelo ano de emplacamento.

Que barulho faz uma corrente de distribuição gasta?+

Um chocalho metálico na partida a frio, vindo da traseira do motor, que dura alguns segundos. Pode vir acompanhado de luz de injeção com códigos de correlação virabrequim e comando.

De quanto em quanto tempo trocar o óleo de um N20?+

O intervalo de fábrica de até 25.000 km é considerado longo demais. A prática recomendada é 10.000 km, com óleo totalmente sintético homologado BMW Longlife-01. É a melhor proteção para as guias da corrente.

O N20 consome óleo?+

Um certo consumo é frequente neste motor, ligado aos anéis e ao separador de vapores. Confira o nível entre revisões e pergunte ao vendedor quantos litros ele completa entre as trocas.

Verifique este N20 antes de comprar

A data real de produção e o histórico de manutenção dizem se a distribuição é um problema resolvido ou uma conta esperando por você.

Decodificar um chassi