O N47 em poucas linhas
O N47 é um quatro cilindros diesel de 2 litros com common rail e turbocompressor, lançado no final dos anos 2000 para substituir o M47. Na altura trouxe progressos claros no consumo, nas emissões e no refinamento face ao antecessor.
Consoante as versões desenvolve cerca de 115 a 205 cv. Encontra-se em grande parte da gama: Série 1 (118d, 120d, 123d), Série 3 (316d, 318d, 320d), Série 5 (518d, 520d), além dos X1 e X3. Em resumo, um BMW diesel de quatro cilindros deste período é quase sempre um N47.
É precisamente essa difusão massiva que explica a dimensão do tema: quando um defeito afeta um motor produzido em grande série, torna-se rapidamente um fenómeno de fórum.
O verdadeiro problema: uma corrente colocada atrás
Na maioria dos motores, a corrente de distribuição fica à frente do bloco, do lado dos acessórios. No N47 está colocada atrás, do lado da caixa de velocidades e do volante do motor. Essa disposição é o cerne do problema, mas não pela razão que se costuma imaginar.
A corrente do N47 tende a alongar-se prematuramente. Ao alongar-se, folga, pode saltar dentes e, no pior dos casos, partir. Perde-se então a sincronização entre a cambota e as árvores de cames, e as válvulas encontram os pistões. Nessa altura o motor precisa de uma reconstrução pesada.
O que torna o N47 particularmente temido é que a sua posição traseira obriga a desacoplar a caixa de velocidades para intervir. Onde uma substituição de corrente clássica já é uma operação séria, a do N47 torna-se uma obra: a fatura conta-se em milhares de euros, essencialmente em mão de obra. É esse custo, mais do que a frequência da avaria, que construiu a fama do motor.
Os sintomas que devem fazê-lo parar
O sinal mais característico é um ruído metálico de corrente ao arrancar a frio, vindo da parte de trás do motor, do lado do painel corta-fogo e da caixa. Pode assemelhar-se a um matraquear ou a um roçar, e atenuar-se com o motor quente, o que não deve de modo algum tranquilizar.
Outros sinais vão no mesmo sentido: códigos de avaria de correlação entre cambota e árvore de cames, um motor que trabalha mal, arranques difíceis ou uma perda de elasticidade inexplicada.
Regra simples na prova: exija um arranque com o motor completamente frio, idealmente após uma noite parado. Se o vendedor aqueceu o carro antes da sua chegada, peça para voltar. Neste motor concreto não é desconfiança excessiva, é o único momento em que o ruído se ouve claramente.
Que anos são afetados
Os primeiros anos de produção são os mais expostos. A BMW foi fazendo evoluir a corrente e os seus componentes várias vezes ao longo da carreira do motor, e os exemplares tardios são considerados mais seguros.
É preciso, no entanto, ser honesto, e esta é uma diferença importante face ao motor a gasolina N20: não existe aqui uma data de viragem única e nítida a partir da qual tudo estaria resolvido. As evoluções foram feitas progressivamente, e proprietários de anos tardios continuam a reportar casos. Contentar-se com « é uma versão recente, portanto está bem » é um erro.
A conclusão prática é a mesma de qualquer compra de usado: não se avalia um exemplar apenas pelo seu ano de produção, avalia-se pelo seu histórico.
O que o VIN e o histórico revelam
É aqui que o número de chassis faz a diferença entre uma aposta e uma decisão. A descodificação do VIN dá a data de produção real do veículo, e não o ano da primeira matrícula, que pode diferir vários meses e falsear completamente a sua apreciação.
O histórico de manutenção vai mais longe e, neste motor, é a informação mais valiosa que existe. Enumera as passagens por oficina com as operações realizadas: se a corrente de distribuição já foi substituída, está lá escrito. Um N47 com a distribuição refeita é um processo completamente diferente de um exemplar de passado desconhecido, e justifica largamente uma diferença de preço.
O histórico permite ainda verificar a regularidade das mudanças de óleo. Num motor cuja corrente sofre com óleo cansado, um livro que mostra mudanças frequentes é um excelente sinal, muitas vezes melhor do que uma quilometragem baixa e inexplicada.
Os outros pontos a vigiar num N47
A corrente monopoliza a atenção, mas este diesel tem as fraquezas clássicas da sua categoria, que não convém descurar:
Borboletas de turbulência (swirl)
Sujidade ou desgaste mecânico, com solavancos e perda de retoma.
Válvula EGR e admissão
Acumulação de calamina que estrangula o caudal de ar e degrada o desempenho.
Filtro de partículas
Entupimento típico de percursos curtos e de regenerações interrompidas.
Turbocompressor
Desgaste, problemas ligados ao óleo e falhas do atuador, com passagem a modo de emergência.
Circuito de arrefecimento
Avarias podem levar a sobreaquecimento. A vigiar em quilometragens altas.
Junta da cabeça do motor
Os casos são raros mas existem, muitas vezes na sequência de um sobreaquecimento mal gerido.
Manutenção: o que protege realmente a corrente
O melhor aliado da corrente de um N47 é óleo limpo e uma pressão de óleo correta. Os intervalos de mudança alargados preconizados na altura são hoje amplamente considerados demasiado espaçados para este motor.
Encurtar as mudanças de óleo, com um lubrificante conforme às prescrições do construtor, é a medida mais eficaz e menos dispendiosa para preservar a distribuição. É também o que distingue, num histórico, um veículo cuidado de um veículo apenas rodado.
Por fim, um ruído de corrente não se ignora nem se adia. Entre uma substituição preventiva dispendiosa e uma avaria de motor, a diferença de fatura é considerável.
O sucessor B47, e deve fugir do N47?
A partir de meados dos anos 2010 o B47 substitui o N47 no âmbito da nova arquitetura modular da BMW. Corrige o essencial das críticas feitas ao antecessor e goza de uma fama nitidamente mais serena.
Deve então fugir do N47? Não, e esse atalho sai caro a muitos compradores. Centenas de milhares de exemplares circulam sem incidentes, e alguns já beneficiaram da substituição da corrente, o que os torna particularmente tranquilizadores e muitas vezes bem valorizados na compra.
A verdadeira mensagem é esta: o N47 é um motor que não se compra às cegas. Documentado, com data de produção conhecida e histórico coerente, é um bom negócio, muitas vezes desvalorizado por uma fama excessiva. Sem passado verificável é uma aposta cuja parada se conta em milhares de euros.